
|
|
Helena Abreu
Nasceu em Santa Eulália (Seia) em 1924 mas reside no Porto desde 1935. A sua obra é conhecida internacionalmente, tendo sido por duas vezes premiada em Paris. A pintora recebeu, ainda, um dos mais importantes prémios de pintura nacionais, o Prémio Almada Negreiros, e foi agraciada com a Medalha de Mérito da Câmara Municipal do Porto, em 1989.
As pinturas de Helena Abreu não ficam atrás do seu desenho. A artista utiliza o óleo com uma claridade que se julgava apenas permitida à aguarela e uma depuração de linhas um pouco retro mas muitíssimo elegante. E se os óleos são limpos algumas das suas aguarelas possuem uma ordenação tal que parecem abstractas, geométricas; outras são quentes e apenas esboçadas.
Natural de Santa Eulália, onde nasceu em 1924, Helena Abreu é de facto uma artista que engrandece o nome de Seia no exterior, sendo de longe a mais consagrada artista senense de sempre. O nome e alguma obra da artista são hoje conhecidos pelos senenses, sobretudo aqueles que melhor tratam os assuntos da sua terra.
Com vida familiar e profissional estabelecida no Porto desde 1935, os esparsos contactos com familiares (a artista é prima do Dr. Almeida Santos) e amigos de infância não foram suficientes para revelar localmente a artista que já era reconhecida além fronteiras. Não constava do exaustivo inventário de J. Quelhas Bigotte ("Escritores e Artistas Senenses", Seia, 1986), muito menos da sua "Monografia da Cidade e Conselho de Seia" e nem aqueles que haviam estudado pelos seus livros, no Liceu, alguma vez sonharam que a desembaraçada autora de tão expressivas ilustrações e rigorosas composições geométricas era sua conterrânea, e muito menos sonhavam que seria uma das mais importantes artistas portuguesas, como ficou provado na exposição retrospectiva que realizou em 2004 na Câmara Municipal de Matosinhos.
De resto, Helena Abreu colaborou como ilustradora na edição de outras obras. Logo em 1948, ano em que termina o Curso Especial de Pintura, é convidada pelo Mestre Joaquim Lopes a ilustrar o seu livro "Soares dos Reis".
Em 1999, o nome e currículo da artista foi naturalmente incluído no catálogo da I Exposição Colectiva de Artistas Senenses, que pretendia oferecer uma panorâmica exaustiva das artes em Seia, desde o artista mais antigo que se conhecia aos artistas senenses mais jovens. No ano seguinte, a pretexto de uma exposição colectiva do MAC em Seia (Dezembro de 2000). As obras da artista destacaram-se naturalmente na exposição, pela qualidade do desenho e sentido da cor, impressionando os visitantes e os artistas de Coimbra.
A obra de Helena Abreu possui características únicas e um lugar importante na História da Arte portuguesa do século XX – sendo citada sem favor na obra de referência do meio artístico nacional até 1990 (edição de actualização em 1991), o "Dicionário de Pintores e Escultores", de Fernando Pamplona. De resto, a especificidade da sua obra tem sido sublinhada por diversos críticos e resultará da interacção de alguns princípios ordenadores, com destaque para as temáticas, que condicionam todo o trabalho. A preferência pela figura feminina e crianças, envoltas em serenidade, afectividade e alegria, deixa entrever uma concepção intimista de um mundo exterior agressivo e carregado de incertezas, mas transmite uma enorme ternura e redobrada esperança no próximo.
O elemento mais distintivo da sua obra, o desenho, está sempre visível e é estruturante, sem ser demasiado narrativo. Esquemático, com traços diluídos, o desenho define as formas, marcando a composição muito equilibrada, com fundos apenas sugeridos ou mesmo abstractos, jogando com as transparências e opacidades do claro-escuro para criar a ilusão da profundidade. Finalmente, a leveza e a luminosidade da cor percorre toda a obra. As cores frias predominam, reservando-se as cores quentes e os tons claros para as figuras principais.
Para verificação de disponibilidades e visualização
das obras de arte, por favor visite a galeria.

|
|