Graça Morais


Graça Morais

Nasce a 17 de Março de 1948 em Vieiro, Trás-os-Montes, distrito de Bragança. É uma pintora, ceramista e cenógrafa portuguesa.
Licenciada pela Escola Superior de Belas Artes do Porto. Com outros artistas e críticos de arte funda o grupo Puzzle.
Dentro da figuracão, apresenta-nos o corpo e algumas das suas possíveis manifestacções. De forma subtil oferece-nos uma ampla gama de situações rituais a que os corpos estão expostos. Deparamo-nos com figuras sofredoras, melancólicas ou alegres. Figuras que realizam as suas tarefas quotidianas ou que são captadas em momentos congelados da sua actividade.

A pintora mostra-nos os componentes ocultos do que a vista desarmada nos oferece. Através de uma fina arquitectura ensina-nos que por trás de um gesto, de uma mão captada a meio de um trabalho existe uma vida interna complexa que o olhar desta artista é capaz de desocultar.
Penetrar na sua obra é entrar no mito dos rituais que ainda prevalecem no Portugal contemporâneo.

A paisagem de Trás-os-Montes está bem patente aqui, sem complacências regionalistas: sentem-se as folhas secas, o sangue-vivo, a pedra e o mundo vegetal, raíz e ninho. Antigo como a angústia de homem! Suspenso entre o grito do desejo e o sorriso de uma calma oferecida à morte.

É uma Arte de efectiva modernidade. É de sonhos sem idade, que a obra de Graça Morais nos fala, reflectindo o que somos no descobrir de uma ancestralidade silenciosa a que ela dá voz, de uma terra-mãe, na nossa verdade íntima e secreta. Com ela cumpre-se , pois, em plena juventude, a função essencial da arte de sempre.

Desde cedo o lírico e o trágico têm coexistido na simbologia barroco-expressionista da pintora. Encontrar os núcleos temáticos de modo a organizar uma leitura coerente da obra de Graça Morais não é difícil. Embora variada e já vasta, a sua obra apresenta desde o inicio, um numero de preocupações e temas que são recorrentes e que poderemos encontrar em varias fases da pintora.

Um dos temas que merece especial atenção é o retrato da solidão, da alienação e da fragilidade do ser humano. É o retrato de mulheres cujo rosto não apresenta sinais de sofrimento, mas sim de alheamento, de ausência, o destino de quem envelhece, de quem é excluído pela sociedade depois das peripécias da vida, a contas com a proximidade da morte. A sua pintura é quase uma permanente homenagem a seres anónimos, normalmente mulheres, que se não fora esta pintura, do mundo sempre ficariam esquecidas. Algo de estático nestas personagens, paragem no tempo de quem tem o tempo parado, personagens que posam para a "câmara" sem pose nem vontade de deixar algum retrato. Seres indiferentes cujo olhar dificilmente se capta, seres absortos numa contemplação interior ou pura e simplesmente ausentes, a não olharem para nada. Em relação a este tema surge outro de grande importância e também recorrente na sua obra: a mascara. É um tema que atravessa varias fases que tanto lhe serve de referencia nas poéticas, como se estende a temáticas africanas e orientais.

O trabalho de pesquisa da pintora exerceu-se quase sempre em Trás-os-Montes (Vieiro), sua terra natal, num olhar atento não só às pessoas mas também à imagética popular e religiosa da região.

Mistura a técnica dos surrealistas e dos expressionistas com insistentes apontamentos naturalísticos da vida da sua aldeia.

Em varias pinturas, a pintora joga com a sobreposição de figuras transparentes, ou pelo contrario, a compactação da matéria.


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