Arpad Szenes (pormenor)


Arpad Szenes

Pintor de origem húngara, nasceu em Budapeste em 1897. Morreu em Paris em 1985. Educado num meio cosmopolita, intelectual e artístico, revelou, desde criança, uma especial aptidão para o desenho. Nos anos de 1916-1918, conheceu o escultor Desider Bokros-Bierman, que lhe deu a conhecer a arte contemporânea internacional. Em 1918, frequentou a Academia Livre de Budapeste, onde o ensino era avançado e liberal. O seu professor, Rippl Ronaï, amigo de Matisse, Maillol, Marquet, Bonnard e Vuillard, revelou-lhe a arte francesa anterior à guerra. Descobriu também a música de Bartok e Kodaly, e a arte de vanguarda de Lajos Kassak, pintor, escultor e escritor ligado ao movimento Dadá. Expôs, pela primeira vez, em 1922, pinturas abstractas no Museu Ernst de Budapeste.

Depois de percorrer as capitais artísticas da Europa, fixou-se em Paris em 1925, onde, para sobreviver, fez caricaturas nos cafés e cabarets de Montmartre. Em 1929, conheceu Maria Helena Vieira da Silva, na Academia da Grande Chaumière, com quem se casou em 1930. Instalaram-se na Villa des Camélias, que deu origem a uma interessante série de obras com o mesmo título, e frequentaram artistas como Pascin, Varèse, Kokoschka, Giacometti, Calder, Lipchitz, entre outros. A partir desta data, realizou inúmeros retratos da mulher. Em 1931, iniciou-se na gravura, no Atelier 17, com Hayter, e contactou com os surrealistas Miró, Tanguy e Max Ernst, em particular. São notórias as afinidades que a sua obra apresenta com o Surrealismo durante um certo período. A partir deste ano expôs regularmente no Salon des Surindépendants e, no ano seguinte, conheceu a galerista Jeanne Bucher que teve um papel importante na descoberta de toda uma nova geração de artistas. Em 1936, expôs obras abstractas em Lisboa, com Vieira da Silva, e, em 1939, fez uma exposição individual na galeria Jeanne Bucher, em Paris. Iniciou-se na decoração em 1937, colaborando com a equipa de Jean Lurcat na Exposição Universal de Paris.

Em 1939, deixou Paris devido à guerra. Depois de uma estada em Lisboa, partiu para o Brasil com Vieira da Silva em 1940, onde permaneceram até 1947. Uma forte amizade ligou-o aos poetas Cecília Meirelles e Murilo Mendes. A sua pintura tornou-se mais íntima e familiar, as dimensões reduziram-se. Realizou inúmeros retratos de Vieira da Silva, concentrada a pintar, dando início a um dos seus temas de eleição e que lhe serviram de pretexto para investigações plásticas e variações poéticas. No Rio de Janeiro organizou um ateliê de pintura para jovens artistas e colaborou em várias publicações periódicas. A ilustração de obras literárias revelou-se uma actividade particularmente adaptada à sua sensibilidade. Os inúmeros estudos para as ilustrações da obra de Rainer Maria Rilke, O Canto de Amor e da Morte do Cornetim Christophe Rilke, deram origem à importante série do tema Banquet.

De regresso a França (1948), a sua produção é marcada pelas séries abstractas dos Banquets, Parques, Conversations, em inúmeras variações, utilizando as mais diversas técnicas e suportes. As formas tornaram-se mais ligeiras e as cores desvanecidas. A sua obra, tendo cumprido ciclos sucessivos de evolução, passou então a centrar-se nas sensações da luz e na exploração da atmosfera, caracterizando-se pelos formatos verticais ou horizontais, numa delicadeza espacial sugerida pela arte japonesa.

A partir de 1950, os guaches e as têmperas, de extrema sensibilidade, tornaram-se importantes na pintura de Arpad, sendo as técnicas que melhor traduziram a sua pesquisa de luminosidade e de sugestão. Em 1956, obteve a nacionalidade francesa. Os anos 60 foram anos de uma discreta “consagração”: aquisições de obras suas por museus franceses, exposições individuais em França e no estrangeiro, condecorações do Estado francês.

Foram também anos de intensa produção (1960-1980), em que a exploração da atmosfera, a organização lumínica e rítmica regeram as suas pinturas, as suas paisagens imaginadas. A cor contribuiu de maneira decisiva para o espaço espiritual e a luminosidade que as pinturas evocam. O branco, nas variações de cinzentos, rosas, ocres, azuis ou amarelos em fundos ou em sobreposições suaves, concentra luz e transparência. A obra de Arpad Szenes foi várias vezes referida como sendo silenciosa, evocativa e por vezes evasiva. Voluntariamente retirado para segundo plano em função de Vieira da Silva, Arpad Szenes não deixa de ser uma referência importante na arte do seu tempo. Foi um dos melhores representantes da Escola de Paris dos anos 40, apesar da discrição e modéstia que o caracterizaram.


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