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Álvaro (Carlos Cardoso Dinis) Lapa
Nasceu em Évora em 1939. Licenciado em Filosofia, interessou-se cedo pela pintura, em correlação com o pensamento especulativo e com a poesia. Foi a poesia que inicialmente mais marcou a sua atitude perante a vida, interessando-se em especial pelos poetas surrealistas. Em Évora começou a desenhar sob a influência de António Charrua. Na prática pictural foi estreitando amizade com Joaquim Bravo e António Palolo. No inicio dos anos 60 interessou-se pelo informalismo e pelo surrealismo de Robert Motherwell.
Na viragem dos anos 60 para os anos 70 os quadros de Lapa tornaram-se narrativos e autobiográficos como registo do empenho existencial e não como passivo diário de circunstâncias quotidianas. Perante os seus quadros dessa época, ocorrem associações com terrores, feridas, ansiedades, procuras de modos de comportamento que trazem a marca de Rimbaud.
A exposição que fez nos inícios dos anos 70 não apresentava apenas pinturas mas também vitrinas, pequenas estantes, ou simples esteiras com fotografias pessoais, por vezes em estado de nudez, e livros gastos por serem demasiado lidos e folheados, passando a ser frequente a presença de palavras escritas nos seus quadros neo-figurativos.
A pintura de Lapa apresenta-se sempre em cores lisas marcando áreas de fundo e silhuetas de figuras. Não ilustrando, mas acompanhando leituras iniciáticas, é uma pessoalizada concepção de pintura-narrativa. Entre pintura narrada e narrativa pintada, Lapa destrói a fronteira entre as duas modalidades expressivas: a pintura e a literatura. Procura uma fusão subversiva de pintura, literatura e vida.
O importante na sua atitude filosófica consistia em encontrar um ponto do espírito, a partir do qual pudesse tornar-se imediatamente expressivas, como pintor, ou como escritor, sem aprendizagem nem procura de progresso técnico.
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